24 de janeiro de 2012

Juventude masculina em Missão no Rio Grande do Sul.


O pequeno município de Quevedos, RS (Brasil) vive nos meses de férias um tempo de tranqüilidade e silêncio. No entanto nesse ano por uma semana o silêncio e a tranqüilidade deram lugar à contagiante e alegre presença dos missionários da Missão Cristo Tabor.
A Missão Cristo Tabor é realizada pela Juventude Masculina do Movimento Apostólico de Schoenstatt e pela primeira vez realizada de forma simultânea em três cidades brasileiras, além de Quevedos, S. Roque (SP) e Jacarezinho (PR).

O grupo que está em Quevedos conta com onze membros vindos de Santa Maria (RS), Frederico Westphalen (RS) e Londrina (PR). Conta também com a presença do Pe. Clodoaldo e do seminarista Vitor Posseti ambos do Instituto dos Padres de Schoenstatt.
Os missionários vão de encontro ás famílias em suas casas e ainda diariamente oferecem atividades com crianças, jovens e adultos. A oração do terço é diária, antes da S. Missa. Inflamados pelo ardor apostólico e pela herança de nosso fundador o Pe. Kentenich levam a cada um a alegria de ser Igreja.

A paróquia N. Senhora dos Remédios de Quevedos, o pároco, Pe. Rodrigo da Rosa Cabrera (Instituto dos Sacerdotes Diocesanos de Schoenstatt) e a comunidade paroquial agradecem o esforço e a disponibilidade dos missionários na certeza de que Deus por intercessão da Ssma. Virgem Maria, nos concederá imensas graças.
Até dia 28 viveremos esse tempo abençoado em comunhão com os demais missionários que estão nos estados do Paraná e São Paulo.
Mais relatos sobre as missões: Aqui

14 de janeiro de 2012

Além do Cenáculo nossa jornada continua

Nesse ano nossa jornada deseja refletir a figura sacerdotal do Pe. Jorge Falch, sacerdote alemão falecido em 1º de junho, que viveu no Chile por décadas, dedicando sua vida não somente ao nosso instituto e ao movimento de Schoenstatt mas colaborando eficazmente para a Igreja no Chile.
A jornada teve continuidade no dia 10 com a visita à Casa do Instituto Secular N. Sra. De Schoenstatt (das Senhoras de Schoesntatt – “Frauen”). Fomos muito bem acolhidos pela Sra. Elizabeth que entre tantas coisas nos deu um belíssimo testemunho da vida e trabalho do Pe. Jorge Falch junto ao instituto por mais de vinte anos.
No mesmo dia a Ir. Maria Vitória, superiora provincial das Irmãs de Maria de Schoenstatt no Chile também trouxe-nos os reflexos que muitas das irmãs puderam ressaltar a respeito da vida e testemunho do Pe. Jorge como figura sacerdotal junto ao movimento e a Igreja no Chile.


Pe. Dickson Yañes (Chile), de nossa comunidade, em sua comunicação, tratou de apresentar a figura sacerdotal de Pe. Jorge desde o ponto de vista pedagógico da espiritualidade de Schoenstatt.
Dessa forma foi possível como comunidade ter como que uma síntese da herança e riqueza que foi a vida do Pe. Jorge para o Instituto dos sacerdotes Diocesanos de Schoenstatt na América Latina.
Após o dia de convivência e passeio a proposta foi apresentar o lema anual da comunidade: “Como irmãos, vinculados no Pai, Santuário vivo”. A idéia foi ver desde os cursos e grupo o que o lema poderá somar à espiritualidade e vida da comunidade.
O ponto alto de nossa jornada foi a vivência junto ao túmulo do Pe. Jorge Falch e depois a S. Missa na qual se seu a apresentação de quatro novos candidatos: Pe. Aljandro Zelaya e Pe. Alejandro Rodriguez da Argentina, Pe. Juan Pablo Miranda (Chile) e Pe. Gildo Brandt (Brasil).




Na mesma celebração de seu início ao primeiro tempo intensivo do curso Sacerdos Filialiter e ao segundo tempo intensivo do curso Ut Patris Missi. Os demais cursos renovaram simbolicamente seu ideal de curso.



No dia 13 de janeiro encerrou-se a jornada 2012. Desde já nos preparamos para a próxima, que será realizada na Argentina.
Continuamos pedindo ao Senhor que derrame desde o Santuário Cenáculo de Bellavista seu Divino Espírito para que sejamos fiéis á Aliança de Amor.

10 de janeiro de 2012

Jornada em Bellavista - Chile

Jornada do Instituto dos Sacerdotes Diocesanos de Schoenstatt em Bellavista - Chile

Para os membros do instituto dos Sacerdotes Diocesanos o mês de janeiro é esperado com alegria, pois por uma semana se realiza a Jornada do Cone Sul. O Cone Sul reúne os membros da Argentina, Brasil, Chile e Peru (desta vez nos acompnha um seminarista alemão de nossa comunidade, Frank Blumers) . Esse ano a jornada acontece à sombra do Santuário Cenáculo de Bellavista – Chile, na Casa San José.

Jornada Del Instituo de los Sacerdotes Diocesanos de Schoenstatt en Bellavista – Chile
Para los miembros del Instituto de los Sacerdotes Diocesanos el mês de enero es esperado com alegria, pues por uma semana se realiza la Jornada del Cono Sur. El Cono Sur reúne a miembros de Argentina, Brasil, Chile y Perú (esta vez nos acompaña un Seminarista alemán de nuestra Comunidad, Frank Blumers). Este año la jornada se realiza a la sombra del Santuario Cenáculo de Bellavista – Chile, em la Casa San José.

O encontro começou com a oração das vésperas e com as motivações introdutórias que conduzirão as reflexões destes dias em que estaremos reunidos. Dentre as principais motivações teremos a figura sacerdotal do Pe. Jorge Falch através de seu testemunho de vida e transparência paternal de nosso fundador, o Pe. José kentenich.
Encerramos o dia com a celebração da Eucaristia presidida pelo Pe. Raul Hasbún, Reitor do grupo do Chile.
El encuentro comenzó com la oración de Vísperas y com la motivación introductoria que conducirá lãs reflexiones de estos dias em que estaremos reunidos. Entre lãs principales motivaciones contamos com la figura sacerdotal del P. Jorge Falch, a través de su testimonio de vida y transparência paternal de nuestro fundador, el P. José Kentenich.
Culminamos el dia con la celebración de la Eucaristía presidida por el P. Raúl Hasbún, Rector del Grupo de Chile.
Pedimos desde já a intercessão da Mãe Três Vezes Admirável de Schoenstatt por esse encontro, a efusão do Espírito Santo nesse Santuário Cenáculo, a força de herança do 31 de maio e a oração de toda família de Schoenstatt que nos acompanha.
Pedimos desde ya la intercesión de la Madre Tres Veces Admirable de Schoenstatt para este encuentro, la efusión del Espíritu Santo en este Santuario Cenáculo, la fuerza del 31 de Mayo y la oración de toda la Familia de Schoenstatt que nos acompaña com sus oraciones.

29 de março de 2011

Construção do reino da verdade e do amor


Sabemos que o Pe. Kentenich esteve prisioneiro no campo de concentração de Dachau entre os anos 1942 a 1945. Nesse período dedicou-se de maneira especial aos sacerdotes que lá estavam. Através de conferências e grupos trouxe ao que deveria ser um inferno, ares de paraíso. Participaram dos grupos por ele dirigidos os já bem aventurados Carlos Leisner e Gerhard Hirschfelder.


No bloco 26 havia uma capela na qual poderia ser celebrada a S. Missa, mas somente os sacerdotes poderiam participar e mais tarde somente os sacerdotes alemães. Em seguida fora pedido ao  Pe. Kentenich que fizesse pregações e conferências e por causa da epidemia de tifo deveria também dirigir as conferências quaresmais de 1943 para as quais teriam tempo. No entanto o fim da quarentena fez com que os trabalhos retomassem e a quarentena fosse suspensa. Os trabalhos apostólicos do Pe. Kentenich porém continuavam normalmente.

Em meio ao lugar da dor e da desgraça no bloco 26 estava a capela e nela um altar. Desse altar jorrou em todos esses anos uma fonte inesgotável de vida e fé. Desse altar N. Senhor Jesus fazia-se prisioneiro com seus sacerdotes dando-lhes ao mesmo tempo a liberdade do céu. Nesse altar fora ordenado secretamente o Beato Carlos Leisner. Esse altar recebera sobre si tanta dor, tanta angústia e de si gerou paz, perseverança e santidade.

Hoje o altar está na Casa Geral do Instituto dos Sacerdotes Diocesanos de Schoenstatt no Monte Moriah perto de Schoenstatt. Os que lá chegam podem fazer a experiência de estar com tantos sacerdotes que dali tiraram forças para suportar o insuportável, dali entraram para o céu.

 
O altar de Dachau não tem sua importância por ser “de Dachau”, mas por ser altar. Por isso do altar, qualquer sacerdote retira o que os prisioneiros sacerdotes puderam tirar daquele. Se há prisão, dor ou sofrimento, há também um altar onde Ele se entrega uma vez mais por cada um.

Uma das conferências do Pe. Kentenich tinha como lema: “Nós, sacerdotes, queremos em prontidão humilde e corajosa, empenhar-nos por Cristo Rei para a construção e aprimoramento de seu reino de verdade e amor”.

Que de cada altar os sacerdotes de hoje possam empenhar-se por esse tão urgente reino de verdade e amor que o mundo e a Igreja necessitam.

27 de março de 2011

Rumo a 2014

A Família Internacional de Schoenstatt está em preparação ao jubileu do centenário da aliança de Amor e nesse ano de 2011 inicia-se o último triênio em preparação à grande festa de 2014. Este ano é chamado da corrente do Pai que terá como grande motivação a peregrinação do Símbolo do Pai pelo mundo e que em breve já estará no Brasil.

Esse será o ano também da vinculação ao Santuário Original.
Para 2012 é previsto o ano da Corrente do Santuário e 2013 a corrente missionária.
Queremos vivenciar a cultura da Aliança e dar testemunho ao mundo e à Igreja de que nos assumimos a herança.

22 de novembro de 2010

Eucaristia bem celebrada é a melhor catequese eucarística segundo o Papa

A Santa Missa, celebrada no respeito das normas litúrgicas e com uma adequada valorização da riqueza dos sinais e dos gestos, favorece e promove o crescimento da fé eucarística. Na celebração eucarística nós não inventamos algo, mas entramos numa realidade que nos precede, aliás que abraça céu e terra e portanto também passado, futuro e presente. Esta abertura universal, este encontro com todos os filhos e filhas de Deus é a grandeza da Eucaristia: vamos ao encontro da realidade de Deus presente no corpo e sangue do Ressuscitado entre nós. Por conseguinte, as prescrições litúrgicas ditadas pela Igreja não são coisas exteriores, mas exprimem concretamente esta realidade da revelação do corpo e sangue de Cristo e assim a oração revela a fé segundo o antigo princípio lex orando lex credendi. E por isso podemos dizer que "a melhor catequese sobre a Eucaristia é a própria Eucaristia bem celebrada" (Bento XVI, Exort. Ap. pós-sinodal Sacramentum caritatis, 64). É necessário que na liturgia sobressaia com clareza a dimensão transcendente, a do Mistério, do encontro com o Divino, que ilumina e eleva também a "horizontal", ou seja, o vínculo de comunhão e de solidariedade que existe entre quantos pertencem à Igreja. De facto, quando prevalece esta última não se compreende plenamente a beleza, a profundidade e a importância do mistério celebrado. Queridos irmãos no sacerdócio, a vós o Bispo confiou, no dia da Ordenação sacerdotal, a tarefa de presidir à Eucaristia. Tende sempre a preocupação pela prática desta missão: celebrar os divinos mistérios com intensa participação interior, para que os homens e as mulheres da nossa Cidade possam ser santificados, postos em contacto com Deus, verdade absoluta e amor eterno.
E tenhamos presente também que a Eucaristia, ligada à cruz, à ressurreição do Senhor, ditou uma nova estrutura ao nosso tempo. O Ressuscitado manifestou-se no dia depois do sábado, o primeiro dia da semana, dia do sol e da criação. Desde o início os cristãos celebraram o seu encontro com o Ressuscitado, a Eucaristia, neste primeiro dia, neste novo dia do verdadeiro sol da história, Cristo Ressuscitado. E assim o tempo começa sempre de novo com o encontro com o Ressuscitado e este encontro dá conteúdo e força à vida de cada dia. Por isso é muito importante para nós cristãos, seguir este ritmo novo do tempo, encontrar-nos com o ressuscitado no domingo e assim "levar" connosco esta sua presença, que nos transforme e transforme o nosso tempo. Além disso, convido todos a redescobrir a fecundidade da adoração eucarística: diante do Santíssimo Sacramento experimentamos de modo muito particular aquele "permanecer" de Jesus, que Ele mesmo, no Evangelho de João, põe como condição necessária para dar muito fruto (cf. Jo 15, 5) e evitar que a nossa acção apostólica se reduza a um estéril activismo, mas seja ao contrário testemunho do amor de Deus.

13 de novembro de 2010

Papa Bento XVI - Sacerdote e o Munus Docendi

 
 
PAPA BENTO XVI 

AUDIÊNCIA GERAL
Praça de São Pedro
Quarta-feira, 14 de Abril de 2010

Munus docendi
Queridos amigos!
Neste período pascal, que nos guia ao Pentecostes e nos prepara também para as celebrações de encerramento do Ano sacerdotal, que terão lugar nos dias 9, 10 e 11 de Junho próximo, apraz-me dedicar ainda algumas reflexões ao tema do Ministério ordenado, detendo-me sobre a realidade fecunda da configuração do sacerdote com Cristo Cabeça, no exercício dos tria munera que recebe, isto é, dos três ofícios de ensinar, santificar e governar.
Para entender o que significa agir in persona Christi Capitis – na pessoa de Cristo Cabeça por parte do sacerdote, e para compreender inclusive quais consequências derivam da tarefa de representar o Senhor, especialmente no exercício destes três ofícios, antes de tudo é preciso esclarecer o que se entende por "representação". O sacerdote representa Cristo. O que quer dizer, o que significa "representar" alguém? Na linguagem comum, quer dizer geralmente receber uma delegação de uma pessoa para estar presente no seu lugar, falar e agir no seu lugar, porque quem é representado está ausente da acção concreta. Perguntamo-nos: o sacerdote representa o Senhor do mesmo modo? A resposta é não, porque na Igreja Cristo nunca está ausente, a Igreja é o seu corpo vivo e a Cabeça da Igreja é Ele, presente e em acção nela. Cristo nunca está ausente, aliás está presente de um modo totalmente livre dos limites de espaço e tempo, graças ao evento da Ressurreição, que contemplamos de maneira especial neste período de Páscoa.
Portanto, o sacerdote que age in persona Christi Capitis e em representação do Senhor, nunca age em nome de um ausente, mas na própria Pessoa de Cristo Ressuscitado, que se torna presente com a sua acção realmente eficaz. Age de facto e realiza o que o sacerdote não poderia fazer: a consagração do vinho e do pão para que sejam realmente presença do Senhor, a absolvição dos pecados. O Senhor torna presente a sua própria acção na pessoa que realiza tais gestos. Estas três tarefas do sacerdote que a Tradição identificou nas diversas palavras de missão do Senhor: ensinar, santificar e governar na sua distinção e profunda unidade são uma especificação desta representação eficaz. São na verdade as três acções do Cristo Ressuscitado, o mesmo que hoje na Igreja e no mundo ensina e assim cria fé, reúne o seu povo, cria presença da verdade e constrói realmente a comunhão da Igreja universal; e santifica e guia.
A primeira tarefa sobre a qual gostaria de falar hoje é o munus docendi, isto é, ensinar. Hoje, em plena emergência educativa, o munus docendi da Igreja, exercido concretamente através do ministério de cada sacerdote, resulta particularmente importante. Vivemos numa grande confusão acerca das escolhas fundamentais da nossa vida e das interrogações sobre o que é o mundo, de onde vimos, para onde vamos, o que devemos fazer para fazer o bem, como devemos viver, quais são os valores realmente pertinentes. Em relação a tudo isto existem muitas filosofias contrastantes, que nascem e desaparecem, criando confusão sobre as decisões fundamentais, como viver, porque já não sabemos, comummente, do que e para que somos feitos e para onde vamos. Nesta situação realiza-se a palavra do Senhor, que teve compaixão da multidão porque eram como ovelhas sem pastor (cf. Mc 6, 34). O Senhor tinha feito esta constatação quando viu os milhares de pessoas que o seguiam no deserto porque, na diversidade das correntes daquele tempo, já não sabiam qual fosse o verdadeiro sentido da Escritura, o que dizia Deus. O Senhor, movido pela compaixão, interpretou a palavra de Deus, ele mesmo é a palavra de Deus, e assim deu uma orientação. Esta é a função in persona Christi do sacerdote: tornar presente, na confusão e na desorientação dos nossos tempos, a luz da palavra de Deus, a luz que é o próprio Cristo neste nosso mundo. Por conseguinte, o sacerdote não ensina as próprias ideias, uma filosofia que ele mesmo inventou, encontrou ou que gosta; o sacerdote não fala de si mesmo, não fala por si mesmo, talvez para criar admiradores ou um partido próprio; não diz coisas próprias, invenções suas mas, na confusão de todas as filosofias, o sacerdote ensina em nome de Cristo presente, propõe a verdade que é o próprio Cristo, a sua palavra, o seu modo de viver e de ir em frente. Para o sacerdote vale o que Cristo disse sobre si mesmo: "A minha doutrina não é minha" (Jo 7, 16); isto é, Cristo não se propõe a si mesmo, mas, como Filho, é a voz, a palavra do Pai. Também o sacerdote deve sempre dizer e agir assim: "a minha doutrina não é minha, não difundo as minhas ideias ou o que me agrada, mas são boca e coração de Cristo e torno presente esta única e comum doutrina, que criou a Igreja universal e que cria vida eterna".
Este facto, que o sacerdote não inventa, não cria e não proclama ideias próprias porque a doutrina que anuncia não é sua, mas de Cristo, por outro lado, não significa que ele seja neutro, quase como um porta-voz que lê um texto do qual, talvez, nem se apropria. Também neste caso, vale o modelo de Cristo, que disse: Eu não sou para mim e não vivo para mim, mas venho do Pai e vivo para o Pai. Portanto, nesta identificação profunda, a doutrina de Cristo é a do Pai e Ele mesmo é um só com o Pai. O sacerdote que anuncia a palavra de Cristo, a fé da Igreja e não as próprias ideias, deve dizer também: Eu não vivo por mim e para mim, mas vivo com Cristo e para Cristo e portanto tudo aquilo que Cristo nos disse torna-se a minha palavra não obstante não seja minha. A vida do sacerdote deve identificar-se com Cristo e, deste modo, a palavra não própria torna-se, contudo, uma palavra profundamente pessoal. Santo Agostinho, sobre este tema, falando acerca dos sacerdotes, disse: "E nós o que somos? Ministros (de Cristo), seus servidores; porque o que distribuímos a vós não é nosso, mas tiramo-lo da sua despensa. E inclusive nós vivemos dela, porque somos servos como vós" (Discurso 229/e, 4).
O ensinamento que o sacerdote é chamado a oferecer, as verdades da fé, devem ser interiorizadas e vividas num intenso caminho espiritual pessoal, de forma que realmente o sacerdote entre numa profunda, interior comunhão com o próprio Cristo. O sacerdote crê, acolhe e procura viver, antes de tudo como próprio, quanto o Senhor ensinou e a Igreja transmitiu, naquele percurso de identificação com o próprio ministério do qual São João Maria Vianney é testemunha exemplar (cf. Carta para a proclamação do Ano sacerdotal). "Unidos na mesma caridade afirma ainda Santo Agostinho todos somos auditores daquele que é para nós no céu o único Mestre" (Enarr. in Ps. 131, 1, 7).
Por conseguinte, com frequência a voz do sacerdote poderia parecer "a de um que grita no deserto" (Mc 1, 3), mas exactamente nisto consiste a sua força profética: em nunca ser homologado, nem homologável, a alguma cultura ou mentalidade dominante, mas em mostrar a única novidade capaz de produzir uma autêntica e profunda renovação do homem, ou seja, que Cristo é o Vivente, é o Deus próximo, o Deus que age na vida e para a vida do mundo e nos doa a verdade, o modo de viver.
Na preparação atenta da pregação festiva, sem excluir a dos dias úteis, no esforço de formação catequética, nas escolas, nas instituições académicas e, de modo especial, através daquele livro não escrito que é a própria vida, o sacerdote é sempre "professor", ensina. Mas não com a presunção de quem impõe as próprias verdades, mas com a humilde e jubilosa certeza de quem encontrou a Verdade, foi capturado e transformado por ela, e por conseguinte não pode deixar de a anunciar. Com efeito, ninguém pode escolher o sacerdócio por si mesmo, não é um modo para alcançar a segurança na vida, para conquistar uma posição social: ninguém pode obtê-lo nem procurá-lo sozinho. O sacerdócio é resposta ao chamamento do Senhor, à sua vontade, para se tornar anunciadores não de uma verdade pessoal, mas da sua verdade.
Queridos irmãos sacerdotes, o Povo cristão pede para escutar dos nossos mestres a genuína doutrina eclesial, através da qual se possa renovar o encontro com Cristo que doa a alegria, a paz e a salvação. A Sagrada Escritura, os escritos dos Padres e dos Doutores da Igreja e o Catecismo da Igreja Católica constituem, a este propósito, pontos de referência imprescindíveis no exercício do munus docendi, tão essencial para a conversão, o caminho de fé e a salvação dos homens. "Ordenação sacerdotal significa: estar imersos (...) na Verdade" (Homilia da Missa Crismal, 9 de Abril de 2009), aquela Verdade que não é simplesmente um conceito ou um conjunto de ideias a transmitir e assimilar, mas que é a Pessoa de Cristo, com a qual, pela qual e na qual viver e assim, necessariamente, nasce também a actualidade e a compreensão do anúncio. Só esta consciência de uma Verdade feita Pessoa na Encarnação do Filho justifica o mandato missionário: "Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa Nova a toda a humanidade" (Mc 15, 16). Só se se trata da Verdade ela está destinada a toda a humanidade, não é uma imposição de algo, mas a abertura do coração àquilo pelo qual se foi criado.
Queridos irmãos e irmãs, o Senhor confiou aos Sacerdotes uma grande tarefa: ser anunciadores da Sua Palavra, da Verdade que salva; ser a sua voz no mundo para levar aquilo que beneficia o bem verdadeiro das almas e o autêntico caminho de fé (cf. 1 Cor 6, 12). São João Maria Vianney seja exemplo para todos os Sacerdotes. Ele era homem de grande sabedoria e heróica força ao resistir às pressões culturais e sociais do seu tempo para poder guiar as almas para Deus: simplicidade, fidelidade e proximidade eram as características essenciais da sua pregação, transparência da sua fé e da sua santidade. O Povo cristão era edificado e, como acontece para os autênticos mestres de todos os tempos, reconhecia nele a luz da Verdade. Em definitiva, reconhecia nele o que se deveria reconhecer sempre num sacerdote: a voz do Bom Pastor. 
fonte:  http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2010/documents/hf_ben-xvi_aud_20100414_po.html